sábado, setembro 16, 2006

O mundo de Lula

Folha de São Paulo

"Eu conheço o mundo, e o mundo me conhece", tem dito, nos "spots" de TV, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A primeira parte da frase é falsa. Se Lula conhecesse o mundo, não levaria a surra que está levando até dos líderes de países absolutamente periféricos no sistema internacional (Evo Morales, para ficar apenas no exemplo mais recente). Se de fato conhecesse o mundo, seu governo não teria perdido todas as eleições a que se aventurou no sistema internacional. Se de fato conhecesse o mundo, não teria insistido em uma reunião de cúpula para destravar a chamada Rodada Doha, de negociações comerciais, ante a visível indiferença de seus parceiros mais relevantes no caso. A rodada naufragou. Se de fato conhecesse o mundo, deveria naturalmente conhecer ainda mais o mundo mais próximo, o latino-americano, no qual, aliás, predominam hoje dirigentes que foram ideologicamente próximos do PT antes de o partido e Lula jogarem no lixo tudo o que disseram antes de chegar ao poder. Mas é justamente nessa vizinhança que Lula toma surras mais vistosas. É permanentemente surpreendido por Hugo Chávez -que, de resto, lhe roubou o papel de animador da contestação-, por Evo Morales e até pelo discretíssimo Tabaré Vázquez, presidente do Uruguai, que se encaminha para assinar acordo de livre comércio com os Estados Unidos. Se e quando se concretizar, implodirá o Mercosul e, por extensão, a Comunidade Sul-Americana de Nações, que, por sinal, nem saiu do papel. A segunda parte da frase ("o mundo me conhece") talvez seja verdadeira. Mas, se Chávez, Evo e Tabaré conhecem Lula, não parecem ter grande respeito por ele, a ponto de, vira e mexe, estarem fazendo alguma "sacanagem" com o presidente brasileiro, para usar a linguagem do próprio desorientado Lula.

sexta-feira, setembro 15, 2006

Aii, se não houvesse a mídia!

Liderança de petista é menor entre quem tem telefone, diz Datafolha

Folha Online
(...)Enquanto no geral Lula lidera por 50% a 28% e venceria no primeiro turno, entre os que têm telefone, a diferença cai de 22 pontos para apenas cinco: Lula tem 41%, e Alckmin, 36%.(...)

Rodízio de pesquisas

A churrascaria eleitoral da TV Globo e da "Folha de S. Paulo" criou um "rodízio de pesquisas" que há três meses deturpa e corrompe a campanha eleitoral.

DeBrasília
(...)É um jogo disfarçado, mafioso, diabólico e irresistível. Toda terça-feira, o "Jornal nacional" e o "Jornal da Globo" (logo repetidos pelos jornais das demais televisões) divulgam "a última pesquisa" do Datafolha, cuja chamada é invariavelmente a mesma: "Lula ganha no primeiro turno". Na quarta-feira, "O Globo" e "Folha" repetem tudo nas manchetes: "Lula ganha no primeiro turno".

Sexta-feira é a vez do Ibope. A "pesquisa" é dele. O "Jornal nacional" e o "Jornal da Globo" anunciam: "Lula ganha no primeiro turno". Os demais jornais de TV repetem. No sábado, "O Globo" e "Folha" republicam tudo.

E assim a semana eleitoral é invadia pelas duas "pesquisas" (Datafolha e Ibope), encomendadas e negociadas pela Globo e pela "Folha", hoje sócias em outros negócios, como o jornal, que só vale quanto pesa, "O Valor".

"O Globo" e "Folha"
Quem paga isso? Quanto custa uma operação dessas, de longos minutos nos mais caros horários da televisão, das TVs abertas e dos canais de assinatura, como a Globonews, e, no dia seguinte, nas primeiras páginas dos dois maiores jornais do País? Não iriam fazer isso de graça. A filosofia da Globo todo mundo sabe: é dinheiro. Dias atrás, a "Folha" relembrava um dos mandamentos do jornal: "No capitalismo, se não dá lucro está errado".

Assim, desde que a campanha começou, bem antes do horário eleitoral, "O Globo" e "Folha" martelam dia sim dia não "Lula ganha no primeiro turno". Quem paga? É só ver, na televisão e nos jornais, quais os maiores anunciantes deles: bancos, telecomunicações, construtoras, todos hoje interligados.(...)

Alckmin passa Lula em Mato Grosso: 46 a 39%, aponta Ibope

Só Notícias
O presidenciável tucano Geraldo Alckmin ultrapassou o presidente Lula nas intenções de votos em Mato Grosso, de acordo com o Ibope. Os números divulgados hoje apontam 46% das intenções de votos para Alckmin e 39% para Lula. Heloísa Helena (P-Sol) tem 7% e, Cristovan Buarque (PDT) aparece com 1%.
Na primeira pesquisa, em 24 de agosto, Alckmin tinha 34% e subiu para 46%. Lula tinha 38% e foi para 39%.

O Ibope ouviu 812 pessoas em 39 cidades, entre segunda-feira e quarta-feira (13) em 39 cidades. A margem de erro é de 3% . Divulgada na Tv Centro América, a pesquisa foi registrada no TRE com número 021368-2/2

quinta-feira, setembro 14, 2006

Razões para não votar em Lula

Patrimonialismo - Ao lotear o governo pelo PT, Lula traiu seu patrimonialismo, procedendo, ele e o PT, como donos absolutos dos cargos de confiança, proprietários legítimos do governo transformado em 'cosa nostra'.
Clientelismo - compra disfarçada de votos em troca de favores, como o Bolsa-Família, seu carro-chefe eleitoral.
Centralização - O presidente é o governo e não abre. Tudo passa por suas mãos. Muita suspeita, portanto, sua alegada inocência nos casos de corrupção. Nada se faz no governo sem sua ciência, sem seu aval, sem sua cumplicidade.
Populismo - Ele convive mal com as instituições democráticas, o Congresso, o Judiciário, a imprensa. Quer governar acima das instituições, como o 'pai dos pobres', em ligação direta com o 'povo'.
Autoritarismo - Como todo populista, como todo coronel, sua auto-suficiência se traduz no mais decidido autoritarismo nas relações com os ministros, os partidos, os deputados e os subordinados.

Ao ser tão conservador - no mau sentido - e querendo posar de progressista, Lula revelasse uma fraude política, utilizando a mentira como sua arma principal. Dessa mentira faz parte seu tão falado 'carisma', inventado para impressionar os trouxas. Lula rebaixou os índices de crescimento do País a níveis haitianos, como se sabe.

Lula herdou a política econômica do governo anterior, mas se mostrou um mau herdeiro. O bom herdeiro amplia e aperfeiçoa a herança. Lula contentou-se em repetir e conservar a política econômica estabilizadora do seu antecessor, boa para seu tempo, sem acrescentar nada de novo. O que teria de fazer seria aproveitar a estabilidade para incentivar o crescimento. Em vez disso, marcou passo até agora, enquanto outros países emergentes já revolucionaram a escala do desenvolvimento.

Nem mesmo foi respeitada a autonomia das agências reguladoras, uma das maiores conquistas do governo Fernando Henrique Cardoso.
O governo Lula elevou a carga tributária a cerca de 37,37% do PIB, um recorde histórico, travando brutalmente o desenvolvimento econômico.

Em suma, não é possível votar para presidente da República num candidato que nunca leu um livro e se gaba da própria ignorância como se esta fosse um galardão e motivo de orgulho. Que péssimo exemplo para a juventude! Será possível levar este homem a sério quando ele fala na importância da educação? Com perdão daquele simpático professor da USP, colega da não tão simpática Marilena Chauí, votar em Lula significa aderir à turma do 'me engana que eu gosto'.

Valorização do Real acaba com a exportação do VW Fox para a Europa

O Lula falou que a Volkswagen está demitindo devido a um projeto errado. Claro, o erro foi acreditar no governo. Devido a valorização do Real o modelo Fox que é exportado para a Europa perdeu competitividade. Todos os veículos Fox exportados são fabricados no ABC e agora a empresa que previa exportar 100 mil carros por ano já desistiu da idéia. O projeto, que custou R$ 99 milhões, era disputado por outros países e até o Lula fez coro pra trazê-lo ao Brasil. Agora ele joga a culpa na empresa. As demissões foram adiadas para dar um agrado ao presidente, mas já estão confirmadas para o ano que vem.

TCU cobra governo federal sobre mistério das cartilhas

Novamente fica claro que o PT não consegue separar o que é partido e o que é governo.


Folha de São Paulo
Gushiken e duas agências de publicidade têm 15 dias para devolver R$ 11,7 mi ao erário Tribunal de Contas aponta envolvimento do PT em irregularidades; partido diz ter recebido revistas de propaganda da gestão Lula O TCU (Tribunal de Contas da União) fixou ontem prazo de 15 dias para o ex-ministro Luiz Gushiken e as agências Duda Mendonça e Matisse devolverem aos cofres públicos R$ 11,7 milhões em decorrência de supostos serviços superfaturados ou nem sequer prestados na publicidade do governo Lula. Esse também é o prazo fixado para a defesa dos envolvidos. Na auditoria aprovada ontem por unanimidade, o tribunal aponta o envolvimento do PT nas irregularidades. Contrariando as normas da administração pública, o partido se apresentou como responsável pelo recebimento de 930 mil revistas de propaganda do governo, exemplares esses que o TCU ainda suspeita que nem chegaram a ser impressos. A auditoria gerou um embate político. A oposição reagiu dizendo ver no episódio margem para a abertura de um processo de impeachment contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O ministro Tarso Genro (Relações Institucionais) chamou a idéia de "golpista". Para o tribunal, as investigações até aqui mostram "confusão entre a ação governamental e ação partidária, com claros objetivos promocionais" ao PT. Além das revistas que o partido supostamente distribuiria, o TCU identificou "tom promocional do presidente da República" no conteúdo das publicações, o que também seria ilegal. O valor do suposto prejuízo aos cofres públicos fixado ontem não foi corrigido pela inflação. Os R$ 11,7 milhões correspondem a quase 1,9 milhão de revistas pagas e que não teriam sido entregues e o pagamento de até R$ 2,25 por exemplar acima do preço de mercado, em mais de 3 milhões de revistas. A auditoria pesquisou quatro edições de balanço da ações de governo (6, 12, 18 e 24 meses) e a produção de livretos sobre inclusão social encomendados às agências Duda Mendonça & Associados e Matisse Comunicação de Marketing entre agosto de 2003 e maio de 2005. Cinco gráficas -Burti, Pancrom, Kriativa, Takano e Web- também teriam participado das irregularidades, segundo o TCU, além de funcionários da antiga Secretaria de Comunicação e Gestão Estratégica da Presidência. A auditoria começou em 2005, a partir das denúncias de desvio de recursos públicos destinados à publicidade para o esquema de caixa dois do PT, investigadas pela CPI dos Correios. "Meu voto reflete o trabalho da auditoria, agora vamos ouvir as partes", disse ontem o ministro Ubiratan Aguiar, autor do relatório. A votação da auditoria em plenário vinha sendo adiada desde outubro por divergências no TCU. Nesse período, as investigações avançaram. Ao tentar contestar as suspeitas de pagamento por serviços não prestados, a Secom acabou envolvendo o PT. O partido apareceu como responsável por distribuir 930 mil revistas. A versão não convenceu o TCU, que também apura o pagamento por serviços não prestados no caso desses exemplares. A justificativa transformou-se em agravante: "Pelo seu conteúdo [das revistas] e pela distribuição via partido, teria o potencial de se constituir em propaganda partidária", destaca a auditoria. Na apuração dos prejuízos aos cofres públicos, coube à Matisse a maior fatia: R$ 4,1 milhões. A Duda Mendonça é cobrada a devolver R$ 3,8 milhões. O ex-ministro Luiz Gushiken, além de responder solidariamente pelo total do prejuízo, é cobrado a ressarcir ao erário R$ 3,7 milhões pelos exemplares que teriam sido distribuídos pelo PT. O tribunal detectou "no mínimo falha no dever de diligência" do ex-ministro e seu sub, Marcos Flora, na aplicação de recursos púbicos destinados ao pagamento de material de propaganda da Presidência. A Duda Mendonça perdeu o contrato de publicidade com o Planalto depois do escândalo do mensalão, que apontou o dono da agência e marqueteiro da campanha de 2002 como beneficiário de R$ 10 milhões do caixa dois do PT. A agência Matisse pertence a outro ex-marqueteiro e amigo de Lula, o publicitário Paulo de Tarso Santos.

quarta-feira, setembro 13, 2006

Alckmin alcança 27 pontos de vantagem entre os mais ricos

Pena que os mais pobres ou não compreendem ou estão fazendo vista grossa ao que o governo do PT vem fazendo.

Folha de São Paulo

Com uma campanha mais agressiva contra Lula e o PT, o candidato do PSDB a presidente, Geraldo Alckmin, ampliou sua vantagem sobre o petista entre os eleitores mais escolarizados e com renda superior a dez salários mínimos.
O Datafolha registrou as maiores variações nas intenções de voto nesses cenários em relação à pesquisa anterior, realizada na semana passada.
O candidato tucano ganhou sete pontos percentuais entre os eleitores com escolaridade superior e foi de 36% para 43%, enquanto o petista caiu de 34% para 29% no segmento.
Entre os que têm renda familiar mensal acima de dez salários mínimos, Alckmin ganhou 14 pontos percentuais e saltou de 38% para 52%, maior taxa obtida pelo candidato desde junho e que lhe dá vantagem de 27 pontos sobre Lula, que caiu de 35% para 25%.
Na pesquisa anterior do Datafolha, Lula havia crescido nesses estratos, colocando-se em situação de empate com o adversário do PSDB.
Na parcela do eleitorado com rendimentos entre cinco e dez salários mínimos, o petista passou de 41% para 36%, contra uma variação positiva de 34% para 39% de Alckmin.
Sábado passado, o programa de Alckmin foi até o Maranhão visitar a BR-316, considerada a pior estrada do país. O tucano também enfatizou críticas a Lula e ao PT no campo da ética.
Os eleitores que ganham acima de dez salários mínimos, no entanto, representam cerca de 5% do total. Os que têm escolaridade superior, somam somente 11%.
No segmento relativo aos que ganham menos de dois salários mínimos, Alckmin oscilou um ponto para baixo, de 22% para 21%, e o presidente Lula se manteve estável em 59%.
"Se Alckmin não tirar uma diferença entre os mais pobres, dificilmente haverá segundo turno", diz Mauro Paulino, diretor-geral do Datafolha.
Entre os eleitores com ensino fundamental, Lula foi de 56% para 55%. Alckmin ficou estável em 24%.

Segundo turno
Caso fosse realizado um segundo turno hoje entre Lula e Alckmin, o petista venceria com 55%, mesmo percentual do levantamento anterior. O tucano teria 38%, uma oscilação positiva de um ponto.
Na pesquisa de intenção de voto espontânea, em que o entrevistado deve citar o candidato escolhido sem o auxílio de uma lista, Lula aparece com 40%, contra 17% de Alckmin, segundo o Datafolha.
Em relação à pesquisa da semana passada, Lula oscilou um ponto para baixo -tinha 41%. Alckmin manteve o mesmo patamar e Heloísa Helena (PSOL) oscilou um ponto para baixo: tinha 5% e hoje aparece com 4%.
A rejeição aos candidatos oscilou para cima. A de Lula foi de 28% para 29%, a de Alckmin, de 23% para 24%, e a de Heloísa Helena, de 25% para 28%.

Esse conhece...

terça-feira, setembro 12, 2006

MST freia invasões no País para favorecer campanha de Lula

O Estado de São Paulo

Entre janeiro e abril, movimento patrocinou 134 ocupações; de maio a agosto, houve somente 46 ações
Para não correr o risco de prejudicar a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, que lidera com folga a corrida presidencial, o Movimento dos Sem-Terra (MST) pisou no freio das invasões em todo o País. De acordo com números do próprio movimento, nos quatro primeiros meses deste ano, foram realizadas 134 ações em 21 Estados. Nos quatro meses seguintes, coincidindo com o período de campanha eleitoral, o número de invasões despencou - de maio a agosto foram apenas 46 em 11 Estados.
Antes do período eleitoral, o MST não se poupou de praticar ações de grande repercussão negativa, como a destruição do centro de pesquisas florestais da Aracruz Celulose, em Barra do Ribeiro, no Rio Grande do Sul. O mês de abril foi marcado por uma onda de invasões de prédios e fazendas, bloqueios de rodovias e ocupação de pedágios.
Como bom aliado, assim que as pesquisas apontaram o favoritismo do presidente, o movimento recolheu sua massa de frente, a militância que organiza as ações. Vários líderes estão engajados na campanha do PT.
Em julho, foram registradas 12 invasões e, em agosto, apenas 7, todas elas pontuais, realizadas para atender a circunstâncias locais. Na última ação, na quarta-feira da semana passada, quando 200 sem-terra invadiram a sede do Instituto de Terras do Estado de São Paulo (Itesp), em Presidente Prudente, o coordenador José Aparecido Maia pediu cuidado aos militantes: 'Não quebrem, não estraguem nada.' Indagado, disse que era uma orientação de praxe, pois se tratava de protesto pacífico e com alvo bem definido. 'O Estado prometeu assentar 1.400 famílias na região e não cumpriu.' Reconheceu, porém, que o MST cuida para não incorrer em descuidos como o do Movimento de Libertação dos Sem-Terra (MLST), que teria posto em risco a campanha de Lula ao promoveu um quebraquebra nas dependências da Câmara, em junho.
No Pontal do Paranapanema, região de conflitos fundiários dominada pelo MST, a falta de ação desagrada ao sem-terra Antonio Silva, de 79 anos, acampado há 4 anos. 'Se com luta já é difícil sair a terra, imagine tudo parado desse jeito.' A última invasão, da Fazenda São Sebastião, em Teodoro Sampaio, ocorreu há quatro meses.
No fim de julho, o líder José Rainha Júnior chegou a formar uma frente com lideranças de outros movimentos para fazer o que chamou de 'arrastão' em latifúndios da região. Com o Movimento dos Agricultores Sem-Terra (Mast), Movimento Unidos pela Terra (Uniterra) e Associação Renovadora dos Sem-Terra (ARST), o MST de Rainha prometia invadir 20 fazendas no Pontal. Com Lula à frente nas pesquisas, o plano não saiu da intenção. 'Vamos esperar o momento oportuno', disse o líder.
Convertido em cabo eleitoral de sua mulher, Diolinda Alves de Souza, candidata a deputada estadual pelo PT, Rainha percorre acampamentos e assentamentos pedindo votos para os petistas Lula, Aloizio Mercadante (candidato ao governo de São Paulo), Eduardo Suplicy (para o Senado) e o 'companheiro' José Genoino (para a Câmara). Diolinda dobra também com o deputado Luiz Eduardo Greenhalgh, que foi seu advogado quando esteve presa. Nos acampamentos, a propaganda eleitoral se confunde com as bandeiras vermelhas do MST. 'Lula ficou feliz da vida com minha candidatura', diz Diolinda, que em março comandou grupos de mulheres na invasão de cinco fazendas no Pontal. Novas ações, segundo ela, só depois das eleições. 'Agora, estou em campanha.' Para o presidente da União Democrática Ruralista (UDR), Luiz Antonio Nabhan Garcia, a candidatura da mulher de Rainha é a prova de que o MST está engajado na campanha de Lula. 'Estão quietinhos porque o candidato deles está na frente. Se fosse o Geraldo Alckmin liderando, estariam pondo fogo no mundo', ironizou.
A coordenadora nacional do MST, Marina dos Santos, disse que a mobilização 'esfriou' porque, em ano eleitoral, faltam interlocutores para as negociações. 'Não é uma trégua. É que, nesse período, a reforma não avança e seria gastar fichas à toa.' A mobilização maior no início do ano, afirma, foi prevista em virtude das eleições. 'Sabemos que, durante a campanha, pára tudo.' Segundo ela, o movimento não tomou partido no pleito, 'mas a maioria (dos militantes)
vai votar no Lula'. Será um voto 'crítico', diz, porque há muita insatisfação com o ritmo da reforma agrária. 'A expectativa era de 1 milhão de famílias assentadas durante os 4 anos, mas não se chegou a 400 mil assentados.' De acordo com a líder, o MST não impede seus militantes de lançar candidatura ou participar de campanhas nem os estimula nessa empreitada. 'O interessado tem de se articular dentro do partido e deve saber que ele não representa o MST.' ?

Lula sem FHC

Folha de São Paulo
"Além de ser o criador de tudo o que havia de bom, ele [Lula] aparece como o salvador de tudo o que havia de ruim", disse Cristovam Buarque à Folha, ironizando o enorme talento de Lula para transformar suas versões em verdades.
O Bolsa-Escola foi uma herança boa? Então, mudou o nome e foi Lula quem inventou. E havia turbulências na economia, por conta do cenário externo, da excessiva dependência brasileira e até do temor da eleição do próprio Lula?
Então, foi Lula quem salvou o país -com a mesma política econômica. É como se houvesse um Brasil antes de Lula e outro depois de Lula. Antes, a terra arrasada. Depois, a maravilha das maravilhas.
Engenheiro, economista, professor, ex-reitor da UnB, ex-governador do DF, ex-ministro e senador por mais quatro anos, Cristovam é candidato a presidente pelo PDT. Tem 1% nas pesquisas, mas insiste na sua cruzada.
Demitido por Lula do MEC, e por telefone, ele agora não tem papas na língua. Diz que Lula "usurpou" o Bolsa-Escola (idéia que Cristovam registrou em livro na UnB e implantou depois no DF), como "usurpou a política econômica de FHC e a ética de Collor".
Mais: segundo Cristovam, Lula se arroga a responsabilidade pela auto-suficiência do petróleo, um trabalho de meio século e de incontáveis governos. Depois, ironiza: qualquer dia desses, o Lula vai se passar por "pai do Real" -plano, aliás, que o atual presidente condenou publicamente quando lançado por FHC no governo Itamar.
Se Lula for reeleito, como indicam as pesquisas, não haverá mais a "herança bendita", como é hoje o petróleo, muito menos a "herança maldita", como é tudo o que veio de FHC. Ele vai ter que arranjar outra desculpa para erros, atrasos e maus resultados -como os do PIB. Será Lula com Lula. E haja lábia.

Chavismo nos Andes

Folha de São Paulo
O ESTILO de governo do presidente da Bolívia, Evo Morales, se aproxima perigosamente da autoproclamada revolução bolivariana de Hugo Chávez na Venezuela. Tendo assumido o poder há apenas sete meses, Morales desferiu ao menos dois golpes contra leis que ele próprio baixara -e contra as frágeis instituições bolivianas.
A Lei da Convocatória, que criou a nova Assembléia Constituinte do país, foi ditada pelo próprio Morales e estabelecia, para além de qualquer dúvida, que a nova Carta precisaria ser aprovada por mais de dois terços dos deputados constituintes.
Como Morales e seu MAS (Movimento ao Socialismo) não foram capazes de eleger mais que 52,5% dos legisladores, querem agora reduzir a maioria necessária à promulgação da Constituição para 50% dos votos mais um. Para tentar justificar a atitude, afirmam que, como a Assembléia é um poder originário, tem legitimidade para modificar a norma que a convocou.
O presidente da Bolívia também reinterpretou a seu favor o referendo sobre a autonomia dos departamentos (análogos aos Estados no Brasil). Na consulta à população feita em julho ficou claro que os resultados obtidos em cada um dos nove departamentos seriam considerados em separado. Depois que o pleito por maior independência triunfou em quatro das mais ricas unidades federativas, Morales -que se opõe à cessão de mais poder às regiões- começou a dizer que o referendo era nacional.
Morales foi eleito pela maioria dos bolivianos em dezembro de 2005 e teve ampla votação no pleito constituinte de julho. Caso fosse um estadista, deveria tentar unir os bolivianos em torno de um programa comum e fortalecer a institucionalização da democracia no país andino. Parece, porém, mais disposto a imitar Chávez e aferrar-se ao poder.

segunda-feira, setembro 11, 2006

Em 10 dias, Palocci será denunciado duas vezes à Justiça por sete crimes

O Estado de São Paulo

Ex-ministro disputa a Câmara e responde a processos por quebra de sigilo de caseiro e por integrar 'máfia do lixo'

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Rosa Costa, Vanildo Mendes

A 20 dias da eleição, o ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci - candidato a deputado federal pelo PT - começa a enfrentar mais uma prova de fogo em sua carreira política. Num período de dez dias, Palocci será denunciado à Justiça por sete crimes: formação de quadrilha, lavagem de dinheiro, falsidade ideológica, peculato, quebra de sigilo bancário, quebra de sigilo funcional e prevaricação.

As denúncias, da Polícia Federal (PF) e da Polícia Civil, dizem respeito ao envolvimento de Palocci na quebra do sigilo do caseiro Francenildo dos Santos Costa, o Nildo - que disse que o ex-ministro freqüentava a mansão do Lago Sul, em Brasília, usada para lobby -, e nas fraudes nos contratos de lixo em suas duas administrações na prefeitura de Ribeirão Preto (1993-1996 e 2001-2002).

Hoje, o delegado Rodrigo Carneiro Gomes, da PF, entrega à Justiça o inquérito, aberto em março, em que Palocci é acusado dos crimes de violação de sigilo bancário e funcional e prevaricação do caseiro Nildo. Ele afirma que as provas que têm são suficientemente robustas.

Homem forte do governo Lula e ex-prefeito de Ribeirão, Palocci sobreviveu às acusações de integrar a máfia que fraudava contratos de lixo e de ter ligação com o caixa 2 do PT, mas acabou balançando quando foi desmentido por Nildo, que trabalhava na mansão onde ele se reunia com os amigos da chamada República de Ribeirão.

Em entrevista ao Estado, no dia 14 de março, Nildo desmentiu as afirmações do ministro de que não freqüentava a casa. A partir daí, criou-se uma operação irregular de quebra dos sigilos do caseiro, que, segundo apurou a PF, envolveu Palocci e a alta cúpula da Caixa Econômica Federal, para tentar desqualificar seu depoimento. A farsa, porém, foi descoberta e custou a cabeça de Palocci, que em 27 de março deixou o governo.

O material mais contundente contra Palocci, no entanto, virá na próxima semana, quando o delegado seccional de Ribeirão Preto, Antonio Valencise, entrega à Justiça (entre os dias 18 e 20) a denúncia de formação de uma quadrilha especializada em fraudar contratos do lixo.

O documento, com 15 mil páginas, detalha todo o esquema de corrupção no sistema de coleta de lixo e limpeza pública na gestão de Palocci e de seu sucessor, Gilberto Maggione, na prefeitura da cidade.

"O inquérito demonstra a formação de uma verdadeira organização criminosa em caráter estável e permanente que atuou em Ribeirão Preto no período entre 2001 e 2004", diz o delegado, ao sintetizar os procedimentos da máfia do lixo.

Caberá ao juiz que receber a denúncia pedir o parecer do Ministério Público e julgar os acusados, se os promotores avalizarem a consistência das provas.

As investigações, de acordo com Valencise, identificaram, entre outras irregularidades, adulteração nas planilhas de varrição para superfaturar os valores pagos pela prefeitura. Para executar o que estava previsto, por exemplo, um dos parques de Ribeirão teria de ser varrido 12 vezes num único dia.

As ordens de serviço indicavam que no local, de 4,5 quilômetros, haviam sido varridos 46 quilômetros. Há gravações telefônicas autorizadas pela Justiça que mostram integrantes do grupo fazendo acerto e testemunho de dezenas de pessoas. Entre os quais está o dono de uma transportadora de Rio Claro negando a autenticidade de notas usadas pela Leão Leão para lavar dinheiro repassado à máfia, disse o delegado.
O testemunho de maior peso contra o ex-ministro foi feito por seu ex-assessor de governo e ex-vice-presidente da Leão Leão Rogério Buratti. Em 2005, quando foi preso, em troca da delação premiada, Buratti acusou Palocci de receber mesada de R$ 50 mil da Leão Leão para abastecer o caixa 2 do PT.

Todos os acusados por participação na máfia do lixo foram indiciados no decorrer das investigações da Polícia Civil e do Grupo de Atuação Especial para a Prevenção e Repressão ao Crime Organizado (Gaerco).
Além do ex-ministro, da Leão Leão - maior financiadora de sua campanha de 2000 - e de seus diretores, estão na lista, entre outros, o ex-chefe de gabinete Juscelino Dourado , o ex-prefeito Gilberto Maggione e Buratti.

Cerco à liberdade de imprensa

O Estado de São Paulo
O discurso do presidente Lula lido em recente reunião da Associação Nacional de Jornais (ANJ) foi equilibrado e conceitualmente preciso. Mas no Palácio do Planalto, e sob sua batuta, a música é outra. Renasce, à sombra de Luiz Dulci, ministrochefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, nova estratégia de controle da liberdade de imprensa no Brasil. O almejado segundo mandato já tem algumas premissas perfiladas: fim das metas na economia e pôr o guizo na imprensa.
O governo, como de costume, nega a mão do gato. Mas o jornalista Fabio Koleski, autor do texto intitulado Comunicação e Democracia,éu dos principais assessores de Dulci, ministro e amigo do presidente da República. Koleski diz que 'sistematizou' sugestões de dezenas de militantes do partido, que podem ou não ser incluídas no programa do governo. O texto sugere, entre outras coisas, a criação de 'assembléias populares' para revisão de concessões de rádio e televisão, a formação de uma Secretaria de Democratização da Comunicação no Planalto, a distribuição de incentivos oficiais para jornais independentes.
As idéias, inspiradas no ideário autoritário de Hugo Chávez, mostram, mais uma vez e com clareza meridiana, o que, de fato, se passa na cabeça, e não nos discursos, do presidente Lula. O apreço de seu governo pela imprensa e pelos jornalistas pode ser medido pelo tom, arrogante e desabrido, das palavras do coordenador do seu programa de governo, Marco Aurélio Garcia. O assessor presidencial acusou 'alguns' formadores de opinião do País - não disse quais - de tentarem desacreditar a boa avaliação alcançada pelo governo e pela liderança da candidatura Lula nas pesquisas.
Durante a apresentação do programa de governo do presidente, ele classificou de 'golpismo' a atuação desses formadores de opinião, que chamou de 'deformadores de opinião'.
Certamente, você, caro leitor, deve estar buscando as razões de tamanha agressividade. É fácil. Repórteres corretos, editores competentes e formadores de opinião éticos não são vendáveis. Não se agrupam em falanges ideológicas.
Não são bibelôs de nenhum governo. Deste, dos anteriores ou dos futuros. Estão, não obstante suas limitações pessoais, comprometidos com a informação, com a verdade factual e com os seus leitores. Por isso, incomodam. Na lógica das estratégias autoritárias, jornalistas precisam ser amordaçados e domesticados.
A imprensa, por óbvio, não existe para adular. No exercício da sua missão, denunciou um quadro de corrupção sem precedentes na nossa História.
Ministros de Estado despencaram do poder, foram indiciados pela Polícia Federal e denunciados pelo Ministério Público. Presidentes e diretores de estatais se viram envolvidos em escândalos sucessivos. Assessores e amigos do presidente da República foram pilhados em situações gravemente constrangedoras e positivamente criminosas. Tudo isso não foi 'armação da imprensa'. Consta, na verdade, de denúncia formal e fundamentada do procurador-geral da República. O governo, em vez de agradecer o trabalho purificador da mídia, instituição essencial na democracia, está empenhadíssimo na urdidura da mordaça.
O cerco à liberdade de imprensa não é novidade. Quem não se lembra dos capítulos precedentes da novela autoritária? Vamos refrescar a memória. Elaborados na surdina, como agora, diga-se de passagem, o governo enviou dois projetos antidemocráticos ao Congresso Nacional. O anteprojeto do Ministério da Cultura criando a Agência Nacional do Cinema e do Audiovisual (Ancinav), para controlar a produção cinematográfica, a programação e as concessões de emissoras de televisão, e o projeto que propunha a criação do Conselho Federal de Jornalismo, atribuindo-lhe a prerrogativa de 'orientar, disciplinar e fiscalizar' o exercício da profissão de jornalista e a atividade jornalística no País. O primeiro, que está sendo reformulado, mereceu expressiva avaliação do cineasta Cacá Diegues em artigo publicado no jornal O Globo. Segundo o diretor de Deus é Brasileiro, o anteprojeto é 'autoritário, burocratizante, concentracionista e estatizante'. O segundo, sintomaticamente, acabou sendo retirado da pauta do Congresso pelo próprio Planalto. Se tivesse vingado, o governo deteria o controle absoluto de uma atividade em cuja essência estão as liberdades de expressão e de informação asseguradas pela Constituição. O projeto estava, portanto, em linha de confronto com a Constituição. O veneno antidemocrático era forte demais.
Agora, embalado no sonho de um novo mandato, o governo retoma o contra-ataque à liberdade de imprensa. Silenciar os meios de comunicação sempre foi a estratégia dos autoritários, independentemente do seu colorido ideológico.
Mas não vai ser fácil. Felizmente. A sociedade brasileira, ao contrário do que acontece na Venezuela, não depende do Estado de modo tão absoluto. As instituições, sem dúvida, foram feridas pelo aguilhão da corrupção. Basta pensar, por exemplo, nos estragos causados à imagem do Poder Legislativo e na crise de credibilidade que castiga a Presidência da República. A crise ética é gravíssima. O presidente Lula, que teve uma bela trajetória sindical e política, parece não se dar conta da sua imensa responsabilidade. É uma pena.
Apesar de tudo, estamos amadurecendo. O País encontrará o seu eixo. E os que tratam o dinheiro público como negócio privado pagarão o preço da sua delinqüência. Confio no Ministério Público e no Judiciário. O Brasil chegará lá. Pacificamente. Graças aos homens de bem e à força das suas instituições democráticas.

Carlos Alberto Di Franco, diretor do Master em Jornalismo, professor de Ética e doutor em Comunicação pela Universidade de Navarra, é diretor da Di Franco - Consultoria em Estratégia de Mídia E-mail: difranco@ceu.org.br

domingo, setembro 10, 2006