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segunda-feira, outubro 30, 2006
domingo, outubro 29, 2006
Despedida
Agradecemos àqueles que nos prestigiaram e que deixaram seus comentários.
Agora nos resta ficar de olho no que será feito em Brasília em mais um mandato de Lula. Não vamos deixar que ele consiga seguir os mesmos passos de Fidel Castro, Hugo Cháves e de Evo Morales, seus amigos e companheiros. Cabe a nós lutarmos por nossos direitos alcançados com tanta luta. Com certeza não estamos sozinhos. Visitem os links da coluna à direita e se mantenham informados.
Um grande abraço a todos e BOA SORTE BRASIL!!!
É hoje....
nos próximos quatro anos,
com ou sem transponder!!!
sábado, outubro 28, 2006
O dossiegate é o Riocentro do PT, e Lula é o general Marcondes dessa tramóia
No dia 30 de abril de 1981, duas bombas explodiram no Pavilhão do Riocentro, no Rio. Uma delas matou o sargento do Exército Guilherme Pereira do Rosário e feriu gravemente o capitão Wilson Luiz Chaves, que servia no DOI-CODI do 1º Exército. A outra explodiu na caixa de força do local, sem maiores conseqüências. Acontecia lá um show em homenagem ao Dia do Trabalho, promovido pelo Centro Brasil Democrático (Cebrade), entidade então Ligada ao Partido Comunista Brasileiro. Tratava-se da 74ª ação terrorista desde 1980, incluindo explosões de bancas de jornal e um atentado a bomba na OAB (Ordem dos Advogados do Brasil). Vamos fazer um corte nesta cena. Voltaremos a ela.
A 10 de fevereiro de 1980, exatamente um ano, dois meses e 20 dias antes, no Colégio Sion, em São Paulo, cerca de 1.200 pessoas se reuniam, incluindo intelectuais do porte de Sérgio Buarque de Holanda e Antonio Candido, para fundar o Partido dos Trabalhadores. Seu comandante inconteste era o sindicalista muito cedo — cedo demais! — tornado um mito das esquerdas: Luiz Inácio da Silva, o Lula. O apelido seria incorporado depois ao nome. A sigla não deixava dúvidas: patrão não entrava. Os princípios da legenda celebravam um oxímoro: ela lutaria pelo “socialismo democrático”. Margareth Thatcher havia iniciado na Europa, no ano anterior, uma verdadeira revolução ultraliberal. Os intelectuais e a própria imprensa brasileira anteviam, com a decadência da ditadura, o surgimento de um socialismo à moda da casa. Parece que andar na contramão da história é mesmo a nossa especialidade.
Voltemos à cena do primeiro parágrafo. Dois aloprados, a serviço dos porões da ditadura, iriam explodir uma bomba onde se encontravam nada menos de 20 mil pessoas. A idéia era mandar aos ares a abertura política que estava em curso, lenta e gradualíssima. Ninguém tinha dúvida do que tinha acontecido ali. Mas a versão da ditadura, naturalmente, era outra. Tratava-se, e foi a conclusão a que chegou um Inquérito Policial-Militar fajuto, de um atentado das esquerdas para gerar um clima de instabilidade no país.
O então comandante do 1º Exército, general Gentil Marcondes Filho, não precisou de IPM nenhum. Mandou brasa em cima do fato: “Eles foram vítimas de um atentado, é óbvio. O capitão estava no local cumprindo minhas ordens, em missão de informação". Foi a versão que prevaleceu. Estavam ali os dois patriotas para proteger a nação da sabotagem de cantores subversivos, e um terrorista de esquerda jogou no Puma cinza, placa OT 0297, a bomba que feriu gravemente o capitão Wilson e matou, deixando o corpo dilacerado, o sargento Guilherme, que levava o artefato no colo.
Lula é o general Gentil
Vinte e cinco anos depois daquele episódio, o PT que nascia para combater aquela ditadura também tem seus problemas para admitir a verdade. E protege, com igual denodo, seus terroristas. Se o general Gentil fingia a convicção de que as potenciais vítimas eram as responsáveis pela bomba, Luiz Inácio Lula da Silva, agora presidente da República, faz o mesmo em relação ao dossiê fajuto que os seus aloprados tentaram comprar. Disse o candidato do PT à reeleição neste sábado: “Quero saber quem foi o arquiteto desse negócio. Não era eu que precisava de dossiê”. Praticamente com as mesmas palavras, acusou, no debate de ontem com o tucano Geraldo Alckmin — em que foi esmagado —, os tucanos de serem responsáveis pelo dossiê contra José Serra. A bomba, como se sabe, explodiu no colo de Ricardo Berzoini, Jorge Lorenzetti, Osvaldo Bargas, Hamilton Lacerda, Gedimar Passos, Valdebran Padilha, Freud Godoy... Todos eles ligados ao PT, e a larga maioria gente da intimidade de Lula. A exemplo do general Gentil, que segurou a alça do caixão do sargento Guilherme, Lula adula os seus radicais. E se faz de vítima.
Sim, havia comunistas no Riocentro naquela noite. Ditaduras não precisam de motivos, só de pretextos. Para aqueles gorilas, essa evidência tornava verossímil a mentira. Assim como, para Lula, o fato de aparecer um falso laranja, levado à luz por uma pessoa filiada ao PSDB de uma cidade do interior de Minas, basta para que se invista na confusão: tudo não teria passado de uma trama dos adversários.
Na época, Márcio Thomaz Bastos era um advogado que militava nas hostes da oposição. Entre 1983 e 1985, foi presidente da Seccional da OAB São Paulo. Integrou o movimento das Diretas-Já e o Conselho Federal da Ordem entre 1987 e 1989, com atuação destacada durante a Constituinte. Foi um dos redatores do pedido de impeachment do presidente Collor. Hoje ministro da Justiça, atua como um verdadeiro criminalista do governo. É o pai da tese de que o mensalão não passou de mera caixa dois. Foi ele que impediu a divulgação das fotos da dinheirama do dossiê, contrariando portaria da própria Polícia Federal.
Cobrado a dar uma resposta mais rápida ao caso, afirmou: “Existe um tempo para a investigação séria e um tempo eleitoral.". Seu congênere à época do Riocentro, Ibrahim Abi-Ackel, afirmou então: “Reconheço que existe uma ânsia nacional para saber quem pratica atos como este. Por essa mesma razão, não me cabe inventar culpados. O que é procedente é agilizar providências para apurar tudo, e isso já fizemos". Não chegou a lugar nenhum. Ackel é hoje deputado do PP de MG, aliado de Lula.
Desdobramentos
O episódio do Riocentro fragilizou a ditadura, não o contrário. Embora as eleições diretas para a Presidência fossem chegar longos oito anos depois. Ocorre que havia naquilo tudo uma particularidade: vivia-se um regime discricionário. Hoje em dia, felizmente, vivemos em plena democracia. Esconder a verdade, num regime de força, não corrompe a sua natureza; antes, serve para desnudá-la. Já a mentira tornada oficial, na democracia, corrói a sua própria razão de ser.
Lula, aquele santo das massas parido por intelectuais supostamente iluministas no Colégio Sion, naquele 10 de fevereiro de 1980, não tem nenhum receio de se comportar como um generaleco de uma república bananeira. Joga no colo do adversário a bomba montada pelos seus aloprados. Aqueles tinham os seus motivos para ter horror à democracia. Estes também. São motivos diferentes. Até opostos, mas, sem dúvida, combinados. É mais uma razão por que ele não pode ser reeleito. Ainda que seja.
Leia aqui o texto da edição 661 de Veja, de 6 de maio de maio de 1981, sobre as explosões das bombas no Riocentro
O Discurso de Lula em 2003
Não vale o que está escrito
Do discurso de posse de Luiz Inácio Lula da Silva, dia 1º de janeiro de 2003: "O combate à corrupção e a defesa da ética no trato da coisa pública serão objetivos centrais e permanentes do meu governo. É preciso enfrentar com determinação e derrotar a verdadeira cultura da impunidade que prevalece em certos setores da vida brasileira".
Dos fatos, quatro anos depois: o procurador-geral da República denuncia como "organização criminosa" e "quadrilha" um punhado de pessoas do governo Lula, de seu partido e de sua base de sustentação parlamentar.
Do discurso de posse de Lula, dia 1º de janeiro de 2003: "Crimes hediondos, massacres e linchamentos crisparam o país e fizeram do cotidiano, sobretudo nas grandes cidades, uma experiência próxima da guerra de todos contra todos. Por isso, inicio este mandato com a firme decisão de colocar o governo federal, em parceria com os Estados, a serviço de uma política de segurança pública muito mais vigorosa e eficiente. (...) Se conseguirmos voltar a andar em paz em nossas ruas e praças, daremos um extraordinário impulso ao projeto nacional de construir, neste rincão da América, um bastião mundial da tolerância, do pluralismo democrático e do convívio respeitoso com a diferença".
Dos fatos, quatro anos depois: você anda em paz nas ruas e praças "deste rincão da América"? Do mesmo discurso, ainda: "A grande prioridade da política externa durante o meu governo será a construção de uma América do Sul politicamente estável, próspera e unida".
Dos fatos, quatro anos depois: caíram presidentes em penca, a prosperidade escapa à América do Sul e o conflito pelo gás com a Bolívia não parece ser propriamente demonstração de unidade, para não mencionar outras guerrinhas na vizinhança.
Lula terá de se defender na Justiça sobre cartilhas
Há suspeitas de que o presidente tenha cometido irregularidades. Quase um milhão de cartilhas foram impressas pela Presidência e entregues aos diretórios do PT
BRASÍLIA - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi citado nesta quinta pela Justiça a se defender das suspeitas de que cometeu irregularidades no cargo por conta da confecção de cartilhas sobre feitos do seu governo. Quase um milhão dessas cartilhas, cuja impressão custou R$ 11,7 milhões, foram entregues aos diretórios do PT nos Estados para serem distribuídas a eleitores.
A juíza Candice Lavocat Galvão Jobim, da 2ª Vara Federal de Brasília, determinou a citação de Lula e de outros integrantes do governo, como o ex-ministro Luiz Gushiken, para que eles apresentem suas defesas. Também foram citadas empresas supostamente envolvidas na operação, como a Duda Mendonça e Associados Propaganda, do ex-marqueteiro de Lula, Duda Mendonça.
Além dessa ação, Lula é investigado em um procedimento aberto recentemente no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para apurar se ele teve envolvimento com o episódio do dossiê contrário aos tucanos. Nesse episódio, dirigentes petistas e do comitê de campanha de Lula foram presos com R$ 1,75 milhões, dinheiro que seria usado para a compra do material.
A produção das cartilhas favoráveis ao governo é investigada também no Tribunal de Contas da União (TCU). Há estimativas de que o material tenha custado quase R$ 12 milhões em decorrência de supostos serviços superfaturados ou não prestados em contratos de publicidade.
Investigações recentes do TCU apontaram a existência de uma confusão entre as ações governamental e partidária, com o objetivo de promover o PT. Na ocasião em que a apuração foi iniciada, o hoje chefe do Núcleo de Assuntos Estratégicos do governo, Luiz Gushiken, defendeu e contestou o fato de a investigação ter sido aberta às vésperas da eleição.
A informação de que o Palácio do Planalto havia confeccionado 2 milhões de folhetos sobre as realizações do governo Lula e entregado as cartilhas para o PT foi divulgada no início de setembro. O TCU já vinha investigando a impressão das cartilhas, porque recebera denúncias de que houvera superfaturamento nos serviços gráficos.
A auditoria do TCU chegou a levantar a suspeita de que não havia comprovantes de que os folhetos tinham sido confeccionados. Por isso, o tribunal cobrou de agências de publicidade envolvidas a devolução de dinheiro gasto sem comprovação e em superfaturamento. Ao ser questionada pelo TCU, a Secretaria de Comunicação (Secom) do governo informou que as cartilhas tinham sido entregues diretamente ao PT.
Como o responsável pela Secom na época em que as cartilhas foram feitas era o ex-ministro Luiz Gushiken, a ação popular que pediu a citação de Lula também o inclui.
Foi um vexame: a "Síndrome Motorista de Táxi" derrubou Lula
Síndrome Motorista de Táxi
O leitor vai entender direitinho o que é isso. A maioria dos motoristas, cansados de conduzir os passageiros pra lá e pra cá o dia inteiro, ficam tendo idéias sobre como solucionar os problemas da humanidade: do buraco de rua à crise em Bagdá, eles sempre têm uma resposta. O Casseta & Planeta até aproveitou esse furor propositivo da categoria num quadro de humor.
Reparem que, na maioria das vezes, as coisas que dizem são irrespondíveis. Não que estejam certas. Ocorre que vêm formuladas de uma maneira, digamos, impenetrável. Olham para você e mandam ver: “Esse governo dá muito mole pra bandido, não dá?”. É claro que concordamos com ele. Mas vai saber o que ele quer dizer com isso... Pena de morte? Linchamento? Regime de Segurança Máxima? Ou então: “Vou falar pro senhor: política é uma merda. Se eu não ficar aqui 15 horas dirigindo, não ponho comida em casa”. De novo, ele tem razão. Mas o que será que ele quer? Ditadura? Revolução? Só reclamar da vida? É por isso que quase sempre nos limitamos a ouvir e a anuir com o que é dito. Entrar em detalhes pareceria difícil ou pernóstico. Ou imaginem: “Sabe o que é? Na democracia, a crise da representação...” Esqueça. Ele não quer saber o que você pensa. Quer dizer o que ele pensa.
O candidato que se diz popular, “do povo”, que conhece a linguagem da ruas, deu-se mal justamente com essas obviedades que se falam na rua. A Cristiane Santana, do Rio, por exemplo, afirmou conhecer um monte de gente desempregada. Um irmão seu está sem trabalho há um ano. Eis aí: um jornalista jamais faria uma pergunta como essa. Mesmo um candidato não a formalaria com tal crueza. De que valem os 7,5 milhões de empregos que Lula diz ter criado? O irmão da Cristiane o desmente. Aí, o Dêivison fala da violência. Muitos amigos já morreram. Os problemas ganham dimensão concreta.
Realidade atrapalha. E sem ficha
A realidade tomada em sua particularidade é sempre pior para um candidato da situação. Por uma razão simples: problemas sempre existirão. Se aqueles que estão ali são indecisos, sinal de que estão, quando menos, em dúvida na avaliação das respostas até agora apresentadas pelo governo. Em tese, Lula nadaria de braçada porque saberia falar aquela linguagem. Mas esqueceu. Ele se tornou uma espécie de idiota da macroeconomia, opondo sempre números gigantescos a questões muito particulares.
Pior: como os candidatos, a exemplo dos debates que acontecem nos EUA, são obrigados a ficar transitando no palco, gesticulando, falando, o petista não pôde consultar as suas fichas. Restou-lhe o recurso de acusar todo mundo por tudo. Chegou, como costuma acontecer, às caravelas de Cabral. Também tentou ser irônico e desqualificar as respostas de Alckmin. Caiu na grosseria pura e simples. Chamou o Programa Bolsa-Cidadão do governo de São Paulo de “cheque sei lá das quantas”.
Ultrapassagem
O tucano, ao contrário, soube lidar melhor com as minudências levadas pelos indecisos porque tem grande facilidade de memorizar números. Ao contrário de Lula, gosta de detalhes. Conseguia transformar os problemas privados em questões de administração pública. E fez pelo menos três grandes ultrapassagens (fosse uma corrida): quando exigiu respeito ao programa Bolsa-Cidadão; quando, aludindo à indagação de Lula sobre “de onde iria tirar o dinheiro” para seus programas, provocou: “Pensei que ele fosse dizer de onde saiu o dinheiro do dossiê”. E quando afirmou que os líderes do PCC estão na cadeia, mas os da quadrilha que operavam no governo estão soltos.
Lula pode ter sido prejudicado também pelo salto alto. Por mais que ele mesmo tenha dito ser preciso evitá-lo, mal conseguia disfarçar a irritação. Ao ir para o debate com 20 ou mais pontos de vantagem nas pesquisas — segundo os institutos ao mneos —, transpirava impaciência. Alckmin também jogou bem melhor sem a bola, quando sabia que, mesmo sendo hora da resposta do outro, estava enquadrado pela câmera: alternava sinais de negativo com a cabeça com um rosto tranqüilo, um sorriso quase sempre amistoso, raramente um tanto cínico. Lula, ao contrário, fechava a cara, olhando por baixo, como quem está sendo desafiado e se prepara para dar um pito.
A eleição é amanhã. Em que esse debate pode alterar o resultado? Talvez leve para Alckmin uns pontos a mais, evitando que Lula fique na casa dos 60% dos válidos. Mas quem vai saber. Eu já disse o que penso sobre a avaliação dos debates. Se você fizer agora uma pesquisa, o resultado óbvio será o seguinte: Lula ganhou. Afinal, ele está na frente. As coisas se confundem. Mas não ganhou. Levou uma sova feia. Estando certos os institutos, no entanto, é claro que não dá pra reverter o resultado.
Mas é fato que quem viu o debate, e isso inclui os eleitores convictos de Lula, não teve como não constatar que o tucano tem mais preparo. Em 2002, o Brasil escolheu quem tonha menos. E, agora, tudo indica, fará o mesmo. Lula, quem diria?, levou o maior tropeção nos debates justamente quando o tal “povo” entrou na conta.



