terça-feira, julho 18, 2006

PT teme expor Lula e propõe '10 mandamentos'

Para evitar que o candidato Luiz Inácio Lula da Silva cometa erros que possam levar a disputa para o segundo turno, o comando do PT fez recomendações que deverão ser seguidas por Lula, pelos coordenadores da campanha e, em alguns casos, integrantes do governo. Nas cartilhas, chamadas de "os dez mandamentos da reeleição" no Palácio do Planalto, o PT recomenda que Lula se recolha para esfriar a campanha e evitar maiores riscos.

No Planalto, na semana passada comentava-se sobre o risco do "efeito Zidane" na campanha do favorito Lula. Nas conversas sobre as estratégias da campanha da reeleição, vários petistas citaram ao jornal O Globo o exemplo do jogador francês Zidane, eleito o melhor da Copa de 2006 na Alemanha, que estava praticamente consagrado mas cometeu, a dez minutos de encerrar a carreira, o erro de dar uma cabeçada no adversário.

De acordo com o jornal, para evitar erros, o "mandamentos" do PT são os seguintes: 1) Não expor o candidato a situações de risco. 2) Evitar viagens para Estados com divergências entre aliados. 3) Evitar entrevistas e coletivas. 4) Só falar com a imprensa quando tiver um tema específico e definido pela campanha. 5) Não comentar assunto negativo para o governo, deixando essa função, de preferência, para os ministros. 6) Falar sempre de temas positivos. 7) Não participar de debates. 8) Explorar mais a postura de presidente do que de candidato. 9) Evitar a presença física no comitê de campanha. 10) Esfriar a campanha, participando de poucos atos públicos, pois uma disputa acirrada e dinâmica só interessa aos adversários.

A tentativa do PT e do Planalto é de manter Lula fora de polêmicas e fazer atividades de rua só quando for essencial, principalmente nos meses de julho e agosto. Neste mês, por exemplo, Lula terá apenas um grande evento de campanha em Pernambuco, dia 23.

Alckmin vence Lula na pesquisa em MS

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), apontado como grande favorito na corrida presidencial em nível nacional, perde em Mato Grosso do Sul para o seu principal rival, o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB). Na pesquisa da Tendência realizada para o Correio do Estado/TV Campo Grande, Alckmin sai na dianteira com 37,3% das intenções de voto, deixando Lula para trás, com 28,8%. A diferença entre os dois é de 8,5 pontos percentuais para uma margem de erro estimada em 2,8 pontos percentuais para mais ou para menos numa amostra de 1.200 entrevistas.
A terceira colocada na preferência do eleitor sul-mato-grossense é a senadora Heloísa Helena (PSOL), com 8,7% das intenções de voto. A candidata Ana Maria Rangel (PRP) aparece com 1,3% na preferência do eleitorado, fica embolada com o senador Cristóvam Buarque (PDT), com 0,9%, Rui Costa Pimenta (PCO), com 0,5%, José Maria Eymael (PSDC), com 0,4% e Luciano Bivar (PSL), com 0,2%.

Não votariam em nenhum candidato apresentado 7,8% dos eleitores entrevistados em Mato Grosso do Sul. Os indecisos somam 14,1%.

A surpresa foi Ana Maria Rangel, que é de um partido nanico e desconhecido, estar na frente de Cristóvam Buarque que tem um partido, o PDT, estruturado em quase todos os municípios de Mato Grosso do Sul, com a maior bancada na Assembléia Legislativa (sete deputados), com maior número de prefeitos (17) e forte candidatos a deputado estadual e federal.

A diferença dos números dos dois está, porém, dentro da margem de erro estimada em 2,8% para mais ou para menos. Com esta margem, Ana Maria e Cristóvam Buarque estão tecnicamente empatados na preferência do eleitor do Estado para a sucessão presidencial.

Além disso, a candidatura de Ana Maria está sub judice porque no seu partido há grupos lutando internamente para expulsá-la e consequentemente tirá-la da disputa presidencial.

Metodologia

A pesquisa realizada pela Tendência foi contratada pelo Correio do Estado/TV Campo Grande. O levantamento sobre o desempenho dos candidatos a presidente da República ao Senado foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número 1.948/06 e no Tribunal Regional Eleitoral (TRE) sob o número 011/06.

A Tendência ouviu 1.200 eleitores no Estado entre os dias 9 a 12 deste mês. A margem de erro estimada para esse estudo é de 2,8 pontos percentuais para mais ou para menos, considerando-se nível de confiança de 95%.

A amostra obtida está de acordo com o universo da população por região e tamanho da cidade, sem necessitar, portanto, de qualquer ponderação. Os domicílios dentro dos quarteirões foram sorteados de forma sistemática com intervalo de três casas e início aleatório.